Sobre assovios e igualdade

Por Brunín Assis

chegadefiufiuselothumbOutro dia eu voltava da padaria quando topei com uma mulher sentada ao pé de uma árvore. Ela me encarou da cabeça aos pés e disse, naquele tom que só pedreiros têm o dom de fazer: “Nossa, a visão desse bairro está muito melhor que eu imaginava!”. E continuou me encarando. Ao contrário do que muitos homens podem pensar, não fiquei feliz por receber um elogio avulso de uma aleatória na rua. Nem parei para ver se era bonita ou não. Achei estranho, apressei o passo e fui para casa direto.

Aconteceu uma única vez, em uma situação muito específica. E nem bonito eu sou. Agora imagina como é o dia a dia de uma mulher atraente e que deve receber pelo menos um assovio na rua a cada vez que sai de casa. Isso para não falar de comentários piores que ela deve ouvir todos os dias.

Vou dar outro exemplo que é bem comum no universo masculino. Ao sair de carro com um amigo, sempre rolam comentários sobre as mulheres na rua. Isso é algo normal. O problema é quando soa aquela buzina e ele grita “GOSTOSA!” pela janela. Já estive por diversas vezes no banco do carona quando o motorista fez isso. Minha vontade era esconder o rosto e pedir desculpa para a mulher pela estupidez alheia. Pena que não era possível.

Mas vamos com calma, não sou desses extremistas que defende que até olhar para uma mulher na rua é desrespeito. Não é. Tenho certeza de que quando passa um homem bonito ao lado de vocês o pescoço também quebra. Olhar não é o problema. O desrespeito é.

Como homem, é frustrante tentar argumentar com alguém que faz esse tipo de coisa. A primeira coisa que ele vai dizer é que você é gay e que não é possível que você também não achou a mulher gostosa (e essas “atitudes gays” podem ser assunto para um futuro post). A segunda coisa, e infelizmente muito comum, é dizer que a mulher o provocou. Que aquele decote era um convite para ser chamada de gostosa. Que aquele shortinho pedia por um assovio.

Semana passada eu falei rapidamente sobre como era difícil julgar uma pessoa só pela roupa que ela veste e volto a reforçar. Não é uma roupa que vai caracterizar ninguém. É fácil taxar mulheres com vestido abaixo do joelho como fanáticas religiosas. Da mesma forma é fácil dizer que mulheres com shortinho e top são piriguetes. O difícil é chegar até elas na boa e conversar e aprender mais sobre elas. Aquela “piriguete” pode ter phd em física quântica e estava com calor no dia. Ou a “fanática religiosa” pode ser uma enviada do satanás que chupa sangue no cemitério à noite. Vai saber…

E uma roupa também não dá direito a nenhum homem de fazer nada, seja verbal ou físico. No meu mundo utópico, as mulheres podem sair na rua com a roupa que bem entenderem e nenhum homem iria incomodá-las. É aquela ideia que as feministas defendem e que todo o mundo deveria defender também: a mulher faz o que quiser com o próprio corpo. Usa as roupas que julgar mais adequadas e ninguém tem nada a ver com isso. Se um homem pode fazer isso, as mulheres podem fazer também.

É uma questão de direitos iguais. Aliás, direitos iguais não é uma mulher poder gritar na rua que um homem é gostoso e assoviar para ele. Direitos iguais é os dois se respeitarem e seguirem suas vidas sem serem incomodados.

Eu acredito que a mentalidade dos homens vá mudar um dia. Eu sei como é difícil me livrar de muitos conceitos que foram passados desde que éramos crianças. Aos poucos, claro, dá para perceber que essa mentalidade está mudando. É um processo lento, mas vamos, juntos, fazer um mundo muito melhor para todos.

Sobre vestidos e desatenções

Por Brunín Assis

O-que-devo-vestir

Pense na seguinte situação: você passou horas para escolher a roupa ideal, experimentou trinta e sete blusas, vinte e três calças, quinze vestidos, testou todos os seus acessórios, fez várias combinações com sapatos e finalmente ficou pronta. Olhou-se no espelho e teve certeza de que era a pessoa mais bonita do mundo. Então quando se encontrou com o namorado/ficante/pretendente, ele soltou aquele automático “tá linda amor, vamos?”. Soa muito frustrante, mas aposto que você já passou por isso.

Inclusive tenho que pedir várias desculpas. Já fiz isso algumas vezes e, na maioria delas, foi por pura desatenção. Alguns homens são mais ligados em moda e em detalhes do que outros. Isso é um fato. Eu faço parte dos que não sabem a diferença entre uma calça saruel e uma capri (sim, eu tive que googlar para ver nomes de calças). Pouco vai me importar se a calça que está em você custou mais de 300 reais ou se você comprou em algum polo de modas por 30. Aliás, dificilmente vou perceber se era a mesma calça que você usou ontem ou se acabou de comprar.

Eu juro que isso não é falta de carinho, é só desatenção mesmo. Eu e muitos outros homens simplesmente não reparamos nisso. É o mesmo problema que temos com datas comemorativas, com a diferença de que é impossível colocar um lembrete no Google Agenda a respeito de uma roupa nova.

Outra situação que vocês já devem ter vivenciado: após se arrumar toda, você sai para encontrar com o cara no restaurante e lá está ele com uma camisa de time de futebol, uma bermuda e um tênis. Você pensa: “Como ele teve coragem de sair assim para se encontrar comigo?”.

Simples, a roupa pouco importa. Vou me usar como exemplo: gosto muito de usar bermuda. Minha roupa padrão é uma camisa simples, uma bermuda abaixo do joelho e um tênis. Ou um chinelo, dependendo da situação. Só fujo deste padrão quando as convenções sociais me impedem – como no ambiente de trabalho ou em festas formais, por exemplo. Pode me dizer o que quiser, mas sempre vou prezar pelo meu conforto a me importar com a opinião de outras pessoas.

E eu não vou te julgar se você aparecer com uma camisa do Galo em um encontro romântico. Pelo contrário, vou é achar bem legal. Eu sei que a roupa diz muito sobre uma pessoa, mas o outro lado também é válido. Se você souber usá-la a seu favor, ela também poderá servir para mascarar muitas características negativas sua. Por isso é tão difícil julgar uma pessoa só pela roupa que ela veste e eu raramente me atrevo a fazer isso (e isso será assunto para o texto da próxima semana).

Aliás, se for sair comigo é só caprichar no perfume. Essa é a única coisa em que sempre reparo e, se for bom, vou elogiar todas as vezes.

P.S.: Às vezes eu me paro pensando sobre aquela máxima de que mulher se veste para as outras mulheres. Os milhões de “#LookDoDia” no Instagram estão aí para mostrar isso. Depois de tudo que eu escrevi aqui, vocês concordam com a afirmação?

Sobre supinos e tanquinhos

Por Brunín Assis

hotyoga

De uns meses para cá, toda vez que me encontro com alguém que não vejo há muito tempo, a pergunta é sempre a mesma: “Você está malhando?”. Com um sorriso amarelado no rosto, só respondo que ganhei peso. Para as pessoas, pareço mais forte. Mas a realidade é dura: estou engordando.

E antes que trocassem o “Você está malhando?” por um sincero “você engordou!”, decidi contrariar todas as expectativas, inclusive as minhas, e entrei para uma academia. Musculação simples, só para sair da inércia sedentária em que me encontrava. Não tenho pretensões de ficar fortão, ter uma barriga de tanquinho nem nada. Só não quero morrer cedo por causa de problemas no coração ou algo do gênero.

E essa preocupação é válida para todo mundo. Longe de mim fazer aqueles discursos edificantes de que hábitos saudáveis são importantes para a sua vida. É algo que tenho certeza que você já sabe. Não sou médico, nutricionista ou educador físico. Nem é minha função falar isso para vocês, mas eu realmente acredito nessa ideia. Não há glórias em ser sedentário. Muito pelo contrário.

Como não tenho disposição para praticar esportes, vou para a academia, coloco meu fone de ouvido, faço meus exercícios e vou embora. Aproveito o tempo, ouço uns podcasts e ainda por cima cuido da saúde. Mas tenho que admitir que, para o sedentário assumido que sou, dar o primeiro passo foi difícil. Mais difícil do que eu esperava, inclusive. Mas a partir do momento que se está caminhando, a inércia te leva para frente e te impede de ficar parado.

Fazer exercício também tem outras vantagens. Quando conheço uma mulher, ela ganha muitos pontos quando diz que frequenta academia ou pratica algum tipo de esporte. O motivo é simples: ela é alguém persistente e determinada a atingir seus objetivos. Porque vamos combinar uma coisa, não é nada fácil encontrar coragem para sair de casa, fazer esforço, suar e, às vezes, sentir dores por causa disso. Quem faz exercícios com frequência merece todas as ovações possíveis.

Além disso, há todo um ganho para a saúde, o bom humor quando a adrenalina sobe e o aumento na disposição, o que pode inclusive ajudar nos momentos a dois. É uma coisa que, se feita com moderação, só traz benefícios.

Eu destaquei o “feita com moderação” porque todo exagero é prejudicial. Se você vive e respira academia ou se está obcecada em perder peso – e isso vale para aqueles dois quilinhos que vocês vivem querendo perder -, talvez seja hora de parar de se preocupar com o corpo e trabalhar mais a autoestima.

Ter um corpo dito “perfeito” não é sinônimo de que os caras vão gostar mais de você. No meu caso – e nessa coluna nunca vou poder falar por todos os homens, mas sim a partir das minhas experiências -, me sinto intimidado por uma mulher muito forte. E conheço vários caras que também se sentem. Não é nem por causa do machismo enraizado de que mulher teoricamente não pode ser mais forte que homem. É só questão de gosto. Prefiro uma gordurinha a um músculo tonificado.

E se você está fora do peso ideal, o problema não é sua aparência. Como diria Meg Cabot, tamanho 42 não é gorda e você não precisa querer entrar em uma calça 36. Talvez você devesse se preocupar mais é com sua saúde. Isso é que realmente importa. Se você deseja emagrecer, que faça isso pensando em você, não nos outros. Não são eles que importam nessa hora. A vontade tem que partir de você.

Afinal, alguns quilos a mais ou a menos fazem pouquíssima diferença quando gostamos de alguém.

Sobre amigas e aprovações

Por Brunín Assis

amigas

Tudo está indo bem. Vocês saíram juntos, curtiram a companhia um do outro, ficaram pela primeira vez e algumas outras depois. Com o tempo, perceberam que esses encontros casuais podiam até mesmo evoluir para um compromisso sério. Isso quer dizer que, enfim, chegou a hora de apresentá-lo oficialmente para as pessoas.

É então que surge uma das grandes provas de fogo dos relacionamentos. Esqueça a família, não é sobre ela que estou falando. Conhecer o sogro não é nada perto do momento em que o sujeito se encontrar com suas amigas pela primeira vez. Quando isso acontece, nós homens tomamos um choque e percebemos que aquela que julgamos conhecer tão bem se tornou uma completa desconhecida.

Porque convenhamos, ninguém é normal perto dos amigos. Aposto que você deve ter aquela amiga de infância inseparável, ou um grupo de melhores amigas do tempo da escola, faculdade ou trabalho. Também aposto que vocês possuem uma forma própria de se comunicar, têm vários assuntos em comum e, principalmente, um modo bem peculiar de agir em conjunto.

Você pode até não perceber que isso acontece, mas o cara que está com você vai perceber claramente. Ele está acostumado com outra faceta de você, não com essa estranha que conversa de forma frenética e animada com as amigas. Ou que brinda aos berros no buteco. E a situação é bem mais complicada do que isso. Se vocês dois se encontraram esta semana com o grupo da igreja, com certeza a experiência será outra quando vocês se encontrarem pela primeira vez com o grupo da faculdade. É muita informação diferente sobre alguém que julgávamos conhecer tão bem.

Isso sem falar que, passada a fase constrangedora em que o homem tenta conseguir a simpatia de suas amigas, elas vão se tornar suas piores inimigas. Quer um exemplo prático? São elas que vão contar dos porres homéricos, daquele mico no meio da aula ou mesmo daquele dia em que você dormiu no ônibus e foi parar em Ribeirão das Neves sem querer. Afinal, elas te conhecem melhor que o cara que está com você e vão querer te constranger de qualquer forma. Uma das graças da amizade está aí.

Tem uma frase do seriado New Girl que exemplifica isso muito bem. O Nick, personagem do Jake Johnson, está fazendo aniversário e diz a seguinte pérola: “Sabe qual é a pior parte de ficar mais velho? Seus amigos te conhecem há muito tempo. Têm muitas coisas contra você. Eu quero amigos que mintam para mim porque não querem me magoar”. Só ouvi verdades nessa afirmação.

E antes que você venha falar que os homens fazem a mesma coisa, pode ficar tranquila que nós sabemos disso. Não que nos importemos tanto, mas sabemos. Se bobear, ficamos até mais idiotas que vocês. Tente acompanhar, por exemplo, um jogo de futebol na mesa do buteco. Ou um campeonato da Fifa na casa de alguém. Ou um simples encontro de turma. Teve uma vez que passei o horário de almoço inteiro discutindo como seria um país no qual as genitálias fossem a parte mais importante das pessoas. E eu tenho certeza que você também já teve conversas non sense com suas amigas.

Sim, somos todos idiotas. Resta aos nossos companheiros aguentarem isso e, em um mundo perfeito, entrarem na brincadeira e se tornarem parte do grupo.

Sobre apresentações e normalidade

Por Brunín Assis

Preciso deixar uma coisa clara: odeio apresentações. Sou péssimo para falar de mim mesmo, não sei ressaltar qualidades e sou incapaz de destacar minha contribuição para o mundo. Não sei onde estarei daqui cinco anos ou o que quero comer no almoço. Quando sou apresentado a um estranho, tendo a ficar calado o máximo possível. Ou uso a técnica do Chandler e parto para as piadinhas sarcásticas, o que acontece na maioria dos casos.

Bom, agora que nos livramos deste fardo, vamos seguir adiante.

Fui convidado pela Camila para escrever uma coluna semanal aqui no blog. De acordo com ela, estou aqui para dar uma “opinião masculina sobre tópicos relacionados ao universo feminino”. Mas o que me habilita a ocupar essa posição?

Para falar a verdade, nada. Sou só um cara normal no meio de outros caras normais. Como muitos homens da minha idade, fui criado em um ambiente dominado por mulheres. Aprendi a respeitá-las e tentar entendê-las. Como qualquer cara normal, também tive relacionamentos amorosos, alguns mais bem sucedidos do que outros. Também quebrei a cara muitas vezes. Tive minha cota de cafajestagem e de rejeições. Sou um cara normal com opiniões e dúvidas com relação ao universo feminino. E o melhor jeito que encontro de saná-las é escrevendo.

Aliás, desculpem a minha falta de educação, ainda não me apresentei. Meu nome é Bruno Assis, mas prefiro o diminutivo Brunín. Tenho 24 anos, estudo comunicação social e em breve serei jornalista formado/desempregado. Sou viciado em cultura pop e consumo muitos filmes, livros, quadrinhos, músicas e seriados. Porém sou capaz de largar tudo por um jogo de futebol, mesmo que seja uma pelada da série D do campeonato ucraniano. Além disso, brinco de escrever ficção no meu blog.

E é só isso que vocês precisam saber por enquanto. O resto vocês vão descobrir ao longo do tempo. Escreverei sempre às segundas-feiras e terei um desafio enorme pela frente: falar para um público com o qual não estou acostumado. Sou muito chato para comer, nunca fui fisgado pelo amor e sou uma negação na arte de decorar. Tenho a leve impressão que estou no lugar errado, mas isso só o tempo dirá.