Sobre vestidos e desatenções

Por Brunín Assis

O-que-devo-vestir

Pense na seguinte situação: você passou horas para escolher a roupa ideal, experimentou trinta e sete blusas, vinte e três calças, quinze vestidos, testou todos os seus acessórios, fez várias combinações com sapatos e finalmente ficou pronta. Olhou-se no espelho e teve certeza de que era a pessoa mais bonita do mundo. Então quando se encontrou com o namorado/ficante/pretendente, ele soltou aquele automático “tá linda amor, vamos?”. Soa muito frustrante, mas aposto que você já passou por isso.

Inclusive tenho que pedir várias desculpas. Já fiz isso algumas vezes e, na maioria delas, foi por pura desatenção. Alguns homens são mais ligados em moda e em detalhes do que outros. Isso é um fato. Eu faço parte dos que não sabem a diferença entre uma calça saruel e uma capri (sim, eu tive que googlar para ver nomes de calças). Pouco vai me importar se a calça que está em você custou mais de 300 reais ou se você comprou em algum polo de modas por 30. Aliás, dificilmente vou perceber se era a mesma calça que você usou ontem ou se acabou de comprar.

Eu juro que isso não é falta de carinho, é só desatenção mesmo. Eu e muitos outros homens simplesmente não reparamos nisso. É o mesmo problema que temos com datas comemorativas, com a diferença de que é impossível colocar um lembrete no Google Agenda a respeito de uma roupa nova.

Outra situação que vocês já devem ter vivenciado: após se arrumar toda, você sai para encontrar com o cara no restaurante e lá está ele com uma camisa de time de futebol, uma bermuda e um tênis. Você pensa: “Como ele teve coragem de sair assim para se encontrar comigo?”.

Simples, a roupa pouco importa. Vou me usar como exemplo: gosto muito de usar bermuda. Minha roupa padrão é uma camisa simples, uma bermuda abaixo do joelho e um tênis. Ou um chinelo, dependendo da situação. Só fujo deste padrão quando as convenções sociais me impedem – como no ambiente de trabalho ou em festas formais, por exemplo. Pode me dizer o que quiser, mas sempre vou prezar pelo meu conforto a me importar com a opinião de outras pessoas.

E eu não vou te julgar se você aparecer com uma camisa do Galo em um encontro romântico. Pelo contrário, vou é achar bem legal. Eu sei que a roupa diz muito sobre uma pessoa, mas o outro lado também é válido. Se você souber usá-la a seu favor, ela também poderá servir para mascarar muitas características negativas sua. Por isso é tão difícil julgar uma pessoa só pela roupa que ela veste e eu raramente me atrevo a fazer isso (e isso será assunto para o texto da próxima semana).

Aliás, se for sair comigo é só caprichar no perfume. Essa é a única coisa em que sempre reparo e, se for bom, vou elogiar todas as vezes.

P.S.: Às vezes eu me paro pensando sobre aquela máxima de que mulher se veste para as outras mulheres. Os milhões de “#LookDoDia” no Instagram estão aí para mostrar isso. Depois de tudo que eu escrevi aqui, vocês concordam com a afirmação?

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